Escola da Vila lança mão dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem e do suporte multicanal

  • Segunda, 06 Abril 2020 15:00

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) fazem parte da Escola da Vila há mais de 10 anos. Com duas unidades na zona sul e uma na Granja Viana, zona oeste de São Paulo , a escola associada à Abepar tem utilizado todo o potencial da tecnologia para garantir a continuidade do seu projeto pedagógico durante o isolamento social adotado como medida de prevenção contra o novo coronavírus.

“A Vila tem um longo histórico de trabalho com o ambiente digital”, conta a diretora geral Fernanda Flores. Tudo começou a partir do contato o professor César Coll, da Universidade de Barcelona, que foi um dos responsáveis pela reforma educacional espanhola em 1990 e prestou consultoria ao MEC na elaboração dos Parâmetros Nacionais Curriculares (PCN) do Brasil em 1997. 

“Coll assessorou a Vila por um período de estudo e na implantação de um projeto de educação digital focado em oferecer ao aluno uma escola atenta à formação no contexto da cultura digital”, afirma Flores. 

Concentrados na plataforma Moodle, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem são apresentados aos alunos da Vila a partir do 4º ano do Ensino Fundamental 1. Logo no 6º ano do Fundamental 2, esse recurso passa a ser utilizado regularmente pelos alunos até o Ensino Médio. 

Na plataforma, os estudantes acessam os materiais pedagógicos digitais disponibilizados pelos professores e realizam outras atividades. “Quando tivemos, então, que passar nosso trabalho integralmente para a modalidade a distância, a estrutura que possuíamos já era excelente”, explica Flores.

O desafio naquele momento seria integrar as atividades que eram feitas presencialmente na Escola ao ambiente virtual, de modo a que alunos e professores se encontrassem ao vivo e ao mesmo tempo remotamente. Para tanto, a Vila usou a ferramenta Google Hangouts Meet.  “Além da estrutura que já temos, incluímos as entradas dos professores em áudio ou em vídeo dando orientações, acompanhando as crianças, querendo saber dos jovens e como está o ritmo de trabalho deles”, completa a diretora. 

A Vila instituiu também as aulas abertas, os plantões de dúvidas e os canais de suporte – pedagógico e técnico – para alunos e famílias. “Apesar da certeza de que estamos num cenário de atuação emergencial, que requer de todos muitos ajustes e tolerância ao imprevisto, buscamos estabelecer uma variedade de caminhos nos mesmos moldes em que trabalhamos as aulas presenciais ”, diz Flores. “Na Vila, acreditamos que não basta simplesmente um professor dar aulas expositivas, comunicar o conteúdo, propor exercícios aos alunos, aplicar os conteúdos numa prova e considerar que todos aprendem assim”. 

Para a diretora, o ensino não-presencial, como o adotado neste contexto, somente gera aprendizado se for explorada uma diversidade de ferramentas pedagógicas, tal como é feito presencialmente. “É preciso ter plantão de dúvidas, fóruns de trabalho mediados por um tutor – que pode ser um professor ou mesmo um aluno – aulas síncronas, atividades pensadas para tempos diferentes, com orientações claras. É essa diversidade de meios que poderá promover os aprendizados que almejamos aos alunos”.  

Alunos autônomos e colaborativos

Exemplo de como a Vila tem realizado as atividades no ambiente online é o modo com que os alunos do Ensino Médio estão dando continuidade aos estudos. No EM, as turmas são divididas em grupos de quatro a seis pessoas. Cada aluno é responsável por determinada área do conhecimento e por garantir que seus colegas estejam compreendendo bem os temas estudados. 

“O aluno ou alunas responsáveis pela área da matemática, por exemplo, precisa acompanhar em seu pequeno grupo as dúvidas dos colegas, verificar se eles precisam de algum tipo de suporte e levar essas questões ao professor, seja para pedir uma nova explicação ou mais exercícios”, conta Flores. “Cada estudante do grupo é responsável por uma área do conhecimento e precisa assumir essa postura. Recebemos um retorno muito positivo dos nossos alunos. É possível com esse trabalho estimular a autonomia dos estudantes e abrir espaço para que eles contem com o apoio uns dos outros”. 

Famílias contribuem com o processo

Os alunos da Educação Infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental 1 também estão recebendo suas atividades pelas plataformas . Já a Educação Infantil utiliza como suporte digital o site dos grupos, que fica na área interna do site da escola e já era conhecido pelas famílias.

Para as turmas do 1º ao 3º ano, foram criados ambientes virtuais com características próprias, pensados para a faixa etária dos alunos e que introduzem a família como interlocutora do processo.

“Os professores das turmas e as equipes de inglês, de artes e de educação física estão gravando orientações de trabalhos bastante adequados e acessíveis, com atividades que mobilizam a família”, conta a diretora. “A equipe da biblioteca está produzindo vídeos e áudios para os momentos de leitura com as crianças. O trabalho está bastante dinâmico e o retorno que recebemos das famílias tem sido muito interessante  e valioso para a compreensão das demandas das famílias na atual conjuntura, o que nos possibilita encaminhar ajustes com agilidade”.

Os alunos que já haviam entrado em processo de alfabetização antes da suspensão das aulas continuam aprendendo em casa por meio das atividades a distância. “Estamos instaurando boas propostas, convocando cada vez mais as crianças a escreverem. E elas estão correspondendo! Preparam recadinhos para as professoras, fazem listas de coisas que têm no quarto e mandam para a professora ler”, diz Flores.

Já para a Educação Infantil, o trabalho foi planejado de forma especial. “Todas as terças-feiras, as famílias recebem um guia, um roteiro de atividades para três dias”, comenta. “Marcamos também momentos que já faziam parte da rotina das crianças na Vila, que são momentos de canto, de jogos e brincadeiras, de arte e movimento corporal, de diversas outras atividades através de vídeos de no máximo 40 minutos”.

Equipe pedagógica conectada

Segundo Fernanda Flores, a cultura de educação digital que faz parte da proposta pedagógica da Vila deu segurança à equipe quando este novo desafio se impôs. “Acredito que isso trouxe tranquilidade aos professores, de saber que daria certo”, diz. “Além disso, temos equipes de Tecnologia da Informação e de Tecnologia Educacional que deram e continuam dando todo o suporte necessário”.

Apesar da adversidade, a Escola da Vila tem enfrentado o momento com competência, acredita a diretora. “A nossa avaliação é que estamos conseguindo, realmente, ter um trabalho consistente, coerente com o projeto pedagógico da escola e efetivo. Acompanhando o processo, podemos ver que estão envolvidos e aprendendo, e que mesmo nesse momento de suspensão e isolamento social, a escola representa uma experiência que segue sendo fundamental para cada um deles e para todos nós”, garante Flores.

 

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  • Última modificação em Segunda, 06 Abril 2020 15:32