Temas Pedagógicos

Temas Pedagógicos (39)

A pneumologista clínica Margareth Dalcolmo será a primeira convidada a se apresentar no Ciclo de Palestras Online, “Faz escuro, mas eu canto “, organizado pelo grupo Bahema Educação. Marcado para o dia 22/7, às 20h, o tema da palestra será “Saúde na volta à escola”. O Ciclo de Palestras terá início nesta quarta-feira e se estende até novembro, apresentando temas relacionados à pandemia, às escolas e a volta às aulas com convidados especialistas. 

Margareth Dalcolmo possui graduação em Medicina pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (1979) e doutorado em Medicina (Pneumologia) pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (1999). Pneumologista clínica com experiência em instituição pública e em prática privada. Possui experiência em conduzir e participar de protocolos de pesquisa e tratamento da tuberculose e outras micobacterioses.

A inscrição é gratuita. Saiba mais e inscreva-se aqui.

 

Com a pandemia do novo coronavírus, a Carandá Vivavida está promovendo uma série de lives voltadas para a comunidade escolar. A escola debate a cada encontro um tema de relevância pedagógica para pais e professores, além de tratar sobre a educação no contexto do isolamento social. A 4º edição da Fala, Carandá, a newsletter da escola, conta todos os detalhes sobre esse projeto. Confira aqui.

 

Com o objetivo de discutir assuntos pedagógicos e refletir sobre o papel da escola, a Carandá Vivavida, em parceria com o ComPosição – projeto de formação de professores,  inaugurou, no dia 15 de junho, o Educação em Rede, um ciclo de entrevistas que vai trazer nomes importantes do universo educacional para debates de temas relevantes.

O primeiro tema foi “A escola e o espaço de encontro com o conhecimento”. Para esta discussão, foram entrevistados Jan Masschelein, professor de Filosofia da Educação e diretor do Laboratório para Educação e Sociedade da Universidade de Louvain, na Bélgica, e Débora Vaz, pedagoga com especialização na Universidade de Sorbonne, em Paris, França, formadora de professores e diretora do Colégio Santa Cruz.

Jan Masschelein falou sobre “A escola e o espaço de tempo livre para o encontro com o conhecimento”. Em sua reflexão, o professor abordou a importância de oferecer o conhecimento e não transmiti-lo de maneira direta. Segundo ele, quando o professor oferece o conhecimento ao aluno, ele dá ao estudante a chance de questionar e não simplesmente absorver o conhecimento. É a construção do conhecimento de forma conjunta.

Masschelein abordou ainda o tempo livre, como o tempo que não é predefinido, não é produtivo, não é uma simples continuação do tempo linear entre passado e futuro. Para ele, é o tempo que interrompe essa linearidade. É fazer o passado não determinar o futuro. “Nesse sentido, a escola está proporcionando um futuro para o indivíduo e para a sociedade. É oferecer a possibilidade de uma forma de renovação”.

Assista à entrevista com Jan Masschelein.  

Débora Vaz abordou o tema “Em defesa da escola... Que escola eu defendo?”. Para iniciar a reflexão, Débora lembrou de sua época de estudante e do principal questionamento que se fez: “Que pedagoga eu quero ser?”. Ela contou que este foi o ponto de partida para que ela trilhasse sua trajetória profissional e ressaltou a importância de se questionar sobre isso o tempo todo.

Vaz defende a escola como local para humanização, observação do outro e compreensão daquilo que nos faz humanos. Para ela, a família e a sociedade têm papel importantíssimo nesta construção, mas é na escola que se vivencia a humanização de forma mais intensa, tanto no coletivo quanto no singular.

Assista à entrevista com Débora Vaz.  

 

Imagem: Nutthaseth Vanchaichana/iStock.com

por Colégio Oswald de Andrade

Não é de hoje que se discute o regime de virtualidades. Também não é de hoje a superação das rusgas entre virtual e real, pois já é apaziguado que o virtual é real. Tudo que vivemos atualmente nas telas é real – o computador, a tela, os sons, as pessoas ali materializadas. Porém, transportar aquilo que não era virtual para o virtual pode carregar uma série de ruídos.

Pierre Levy tratava desta questão no século passado e citava que "quando uma pessoa, uma coletividade, um ato, uma informação se virtualizam, eles se tornam ‘não-presentes’, se desterritorializam. Uma espécie de desengate os separa do espaço físico ou geográfico ordinários e da temporalidade do relógio e do calendário (Lévy, 1996, p.21)". 

Ele tratava do assunto a partir de um referencial midiático completamente diferente da nossa relação atual com a imagem e com a portabilidade de vivências imagéticas-sonoras. Imagine que ele estava discutindo isso em um momento em que os celulares não tinham internet, não tinham telas sensíveis ou de alta definição, no qual para ver um filme precisávamos fazer um deslocamento físico até uma locadora para escolher o que ver, e as músicas ainda precisavam de mídias físicas para serem ouvidas. O que temos ali na tela é real, mas readequar, em tempo real, o que possuía outro regime de materialidade é extremamente complicado. 

Essa transição é complicada e sem muitas receitas, mas talvez para a Arte em si e sua difusão, quase que circunscrita ao registro virtual, é um desafio de grande complexidade e com ferramentas que talvez ainda não foram exploradas, pela própria natureza de diversas expressões artísticas. Foi neste contexto que criamos uma agenda de apresentações reais dentro da virtualidade - a Turista Aprendiz.

Ter uma agenda é fundamental. Existe um sentido mais popular para a palavra agenda que é o de "registro de compromissos e tarefas", mas a origem da palavra vem do latim agere que significa agir. Sendo assim, uma agenda é mais que um registro de intenções com compromissos, mas um manifesto pessoal de compromisso com a ação, com o realizar. Precisamos ter agendas e essas agendas apontam para o presente e tentam apontar para o futuro, mesmo incerto, da cultura.

A agenda nasceria no começo do ano, quando o foco seria cruzar os projetos pedagógicos do Oswald de Andrade com a agenda cultural da cidade. Mas as relações com eventos culturais e suas manifestações físicas foram implodidas - desde o fim do ano passado em parte do mundo e, no Brasil, logo depois do nosso maior evento de manifestação popular e coletiva: o Carnaval. 

A agenda, Turista aprendiz - a agenda (do) Cultural, foi assim chamada por Rodrigo Grasso, assistente de coordenação do Cultural, e é uma homenagem a Mário de Andrade, que publicou um livro chamado O Turista Aprendiz, em que ele criou um diário da vivência cultural que ele passara, em 1929, com o intérprete de coco Chico Antônio. Nós desejávamos que a agenda fosse um instrumento que possibilitasse a elaboração de uma galeria pessoal de vivências, sejam elas expográficas, interativas, expositivas, tendo a cidade como vetor de materialização e a ação dos turistas, de forma individual ou coletiva, como responsáveis pela materialização destas pequenas concretudes compartilhadas por artistas, produtores culturais, cozinheiros, cantoras, contadores de histórias ou fazer parte de uma observação de uma nascente de água que brota na cidade. Mas, hoje, esse é um desejo imaturo, pois precisamos atender o mais importante - prover um caminho mais ativo para famílias, docentes e alunos, por meio de práticas que os artistas generosamente buscam compartilhar com os espectadores. 

Uma agenda cultural é um ser capcioso. Primeiro, parte de um conceito desgastado, tristonho e genérico: o que é cultura? Longe de nós, do Departamento de Projetos e Produção do Oswald, querer dizer aqui o que seria cultural ou não. A Agenda é um mapa cartográfico de possibilidades - permite a conexão de um conjunto de pessoas com lugares, espaços e momentos, criando uma determinada vivência. O final é um mapa afetivo de conhecimentos gerados por desconfortos planejados, mediados pela coletividade, envolvidos na vivência, podendo gerar uma experiência. Parece fácil, mas está longe de ser. Essa agenda não quer ensinar porquês, mesmo sendo uma agenda cultural escolar, mas quer compartilhar uma série de porquês de outras pessoas, que gentilmente dedicaram seus comos, para fazer o quês para todos nós.

Desejávamos fazer uma agenda que valorizasse o circuito não normativo de atividades culturais, valorizando conhecimentos do bairro, da cidade e dos deslocamentos; uma agenda que valorizaria as diversidades, debates sobre sustentabilidade e relações humanas; sobre direitos na urbe e da coletividade, procurando abarcar uma variedade de temas e vivências que tratem de espetáculos teatrais, musicais, gastronômicos e cinematográficos também; que ative os pequenos locais de trocas culturais (casas de culturas, galerias e espaços colaborativos de trocas) e espaços mais tradicionais, já que mesmo com boas estruturas a cultura precisa potencializar todas as possibilidades de conversão de público. Mas isso não ocorreu…

O que ocorreu foi o desmantelamento dos equipamentos culturais vigentes e uma busca por outra ordem que não aquela que existia até o Carnaval. É um desafio quase que diário, pois estamos na busca por aprender novas ferramentas e essas ferramentas estão ainda aprendendo com a interação dos seus usuários. É uma gigante quantidade de informações que recebemos/produzimos e alimentamos uma montanha de novos dados.

Sabemos que nenhuma materialidade virtual vai superar a presença física, pois é na presença que muitas formas (artísticas) são concretizadas. Mas, neste exercício cotidiano -- de fazer a agenda --, procuramos potencializar contações de histórias online, podcasts, espetáculos de dança gravados, visitas aos museus, audição de novas músicas, inúmeras plataformas de streamings e diversas lives. E é na live que reside o maior preconceito e também a maior desejo humano: compartilhar e saber que está virtualmente presente, interagindo com outras tantas pessoas. Sendo assim, essa agenda procura intermediar essa busca por interação e registrar o enorme esforço artístico em continuar a existir dentro de um território de fronteiras não conhecidas ou alienígenas para muitas formas artísticas que demandam a presença física. 

Atualmente, temos muitos o quês e porquês, mas apenas um como. É preciso, porém, potencializar este como. Estamos fazendo, com novas ferramentas, novos conhecimentos, mais colaboração, capacitação e compartilhamento de competências; e assim vamos possibilitar o que é mais importante no Oswald - uma instituição que aprende, e de forma colaborativa. 

Visite a Agenda Turista Aprendiz acessando o link. 

Coordenação de Projetos e Produção Cultural

Marcel Hamed - coordenador

Paloma Soares - estagiária

Rodrigo Grasso - assistente de coordenação  

 

Os alunos do Ensino Fundamental da See-Saw Panamby formaram um coral virtual para uma atividade na aula de música. Encorajados pelos professores da disciplina, cada aluno gravou um vídeo cantando a música “Connected”, do músico e compositor Brian Tate. Com a sonorização e edição dos professores Daisy Fragoso e João Paulo Pissaro, o resultado foi um clipe de música divertido, que uniu alunos, professores e famílias. Confira o vídeo aqui.

 

 

 

 

por Colégio Oswald de Andrade

Enquanto a pandemia do novo coronavírus avança a passos largos, com milhares de infectados globalmente, instituições de ensino em todo o mundo mudam as suas rotinas para proteger a comunidade acadêmica e garantir a continuidade das aulas. 

No Brasil, várias instituições substituíram as aulas presenciais por encontros virtuais. Na portaria nº 343, publicada no dia 18 de março, no Diário Oficial da União, o Ministério da Educação (MEC) autorizou essa troca por pelo menos 30 dias ou enquanto durar a pandemia. 

No Colégio Oswald, a rotina não tem sido diferente. As aulas acontecem no horário regular, no mesmo do período das presenciais, utilizando as ferramentas do Google for Education. Professores e alunos têm encontros virtuais todas as semanas, garantindo a continuidade das atividades por meio de vídeos dinâmicos e slides previamente gravados. 

O professor de Física, Jacó Izidro, diz que as preparações das aulas estão seguindo uma rotina de apresentação de conceitos por meio de slides comentados por ele em gravação e posterior resolução de exercícios. "Estou tentando diversificar as atividades. A vantagem da gravação das aulas, segundo os alunos, está no fato que eles podem ver em diferentes horários, dar uma pausa e voltar para ouvir novamente a explicação", conta. 

Já a professora de Língua Portuguesa, Vivian Gusmão, diz que há o intento de se manter os mesmos conteúdos que seriam discutidos presencialmente. No entanto, neste momento, há um redirecionamento do olhar para a questão dos tempos de aprendizagem. "A interação online não oferece nuances perceptíveis como na sala de aula. Por isso, momentos ativos e passivos têm sido colocados em prática, para que eles não se vejam sempre diante de aulas expositivas", explica.

O tempo necessário para o estudo e a aprendizagem é maior no sistema remoto. É preciso ouvir a dúvida do aluno ou ler a sua pergunta e, desse modo, procurar esclarecer.

"Quando a dúvida é colocada no mural, ele [o aluno] precisa redigir a pergunta procurando localizar a sua dificuldade. Nas videochamadas, é preciso pedir para os alunos responderem questões, pedir para algum deles ditar uma resolução e ir conferindo com ele o registro", conta a professora de Matemática, Vania de Andrade, sobre como ministra suas aulas e como tem sido o contato com os alunos. 

A partir das aulas síncronas, são fornecidos materiais de apoio produzidos durante a aula, tanto em lousa digital como em documentos compartilhados do Google Docs.

A pandemia e a quarentena mexeram com a rotina e as preocupações de todos. Em uma atividade de Língua Portuguesa, os alunos do 1º ano do Ensino Médio da See-Saw Panamby foram incentivados a lembrar da felicidade na quarentena. Em produções de texto, cada estudante escreveu sobre como estava se sentindo e depois compartilhou com a sala. 

Confira as produções. 

 

 

por Sonia Barreira*

O debate sobre a importância da educação online ou a distância, neste período de isolamento social,  parece ter conseguido consensos e até unanimidade quando falamos das crianças maiores, dos pré-adolescentes e dos jovens. Tanto as escolas como os órgãos oficiais se apressaram em viabilizar o seguimento do ano letivo com o ensino a distância e os educadores passaram a enfrentar o desafio diário de manter todos os alunos e alunas motivados, interessados e construindo conhecimentos.

Mas e os menores, de 4 e 5 anos? A controvérsia, neste caso, pode ser maior.

Há aqueles que falam apenas em manutenção do vínculo, por meio de histórias e vídeos, e em muitas escolas, os professores têm mantido contato com suas turmas e distraído os pequenos em alguns períodos do dia. Afeto e entretenimento.

Mas será que a necessidade das crianças dessa idade se limita a isso? Sabemos que, nessa faixa etária, os pequenos aprendem muito por meio das representações, do “faz de conta” e por isso brincar é tão importante. Afinal trata-se de uma poderosa atividade espontânea que ajuda as crianças a compreenderem o mundo, a organizarem seus sentimentos e a expressarem seus desejos e medos, além de favorecer maneiras de  interpretar a realidade. E, para isso, nada melhor do que o convívio com seus pares em ambiente seguro. É exatamente o que não temos agora!

E é precisamente por essa razão, que os educadores especializados na infância  fazem ainda mais falta nesse momento. Se as crianças já estão privadas do convívio e dos desafios das brincadeiras espontâneas, precisam ainda mais de boas e adequadas propostas para que possam seguir aprendendo e desenvolvendo suas capacidades humanas.

Se não há a briga e a disputa pelo brinquedo nas atividades presenciais, o educador pode oferecer narrativas que trazem a experiência do conflito e das possíveis resoluções. Os filmes selecionados por eles podem permitir a vivência de situações que levem posteriormente, numa conversa online com os amigos a discutirem as atitudes dos personagens, a evocar situações semelhantes já vivenciadas e a se colocarem no lugar do outro.

Se o espaço físico é restrito, o educador pode criar situações de desafio para o controle motor, equilíbrio, ritmo e favorecer a construção de habilidades físicas em contextos lúdicos. Se os materiais de casa não são os ideais para práticas das artes plásticas, é ainda mais importante o conhecimento dos professores para as propostas diversificadas que permitam as representações ricas e criativas da infância.

Da mesma forma, o processo de alfabetização não deve ser interrompido e o professor deve seguir criando propostas de uso da linguagem escrita que sejam estimulantes e levem as crianças a relacionar a pauta sonora com a pauta gráfica, estabilizar a escrita do nome próprio, brincar de encontrar diferenças e semelhanças em textos variados. Se a escola pode prover a criança desse tipo de estímulo estará garantindo o desenvolvimento cognitivo usando novos recursos, talvez não explorados anteriormente, mas possíveis e necessários agora.

Os familiares, por sua vez, podem propor jogos e explorações das quantidades e suas representações, mas são os educadores infantis aqueles que poderão ainda melhor criar situações problema instigantes que incentivem o raciocínio lógico, que desafiem as contagens e os registros de quantidades em contextos divertidos que garantem as aprendizagens adequadas para cada faixa etária.

As crianças são pequenas, e o uso excessivo da tela não é recomendável, é verdade! Mas este período em casa permite certa flexibilidade, assim é possível que os familiares escolham os melhores horários para as atividades enviadas pelos professores. As atividades menos dirigidas, podem ser realizadas pelos pequenos nos momentos em que os adultos precisam trabalhar, ou se ocupar com os afazeres da casa, mas também se pode reservar um tempinho para aquelas propostas que realmente precisam da nossa mediação.

O importante é que a escola e a família não se furtem de suas responsabilidades: os pequenos precisam de muito mais do que afeto e distração, necessitam de nutrição cultural, desafios físicos, cognitivos e morais.

Afinal, há muito tempo a educação infantil deixou de ser curso preparatório para a escola de verdade, a chamada  “pré-escola”, pois a sociedade reconheceu as necessidades das crianças de 4 e 5 anos de  aprenderem e se apropriarem das ferramentas que ajudam a interpretar o mundo. Não as deixemos sozinhas agora.

 

*Sonia Barreira foi sócia-fundadora da Escola da Vila onde atuou como diretora pedagógica por 40 anos. Atualmente é diretora pedagógica da Bahema Educação.

 

Imagem: romrodinka/iStock.com

por Escola da Vila
Autora: Dayane Moura Monteiro e Natalia da Cruz, professoras da Educação Infantil

A pandemia do novo coronavírus nos colocou frente a uma situação inusitada: o isolamento social. O contato, algo que prezamos tanto em nossas relações com as crianças, teve que ser interrompido diante de um cenário que busca minimizar os impactos desse vírus em nossa sociedade. Tivemos que encontrar uma nova maneira de comunicação, que preserve o vínculo com nossos pequenos, respeitando principalmente a infância e as formas genuínas das crianças se comunicarem e se relacionarem.

As crianças são inteiras em suas vivências no mundo e precisamos pensar em como possibilitar suas explorações nesse novo contexto, com limite de espaço e de interação. Na escola prezamos pela construção de uma rotina que garanta estabilidade no dia a dia delas, propiciando autonomia e segurança emocional para que a investigação e a construção do conhecimento aconteçam de maneira significativa. Diante disso, consideramos também importante preservá-la em outros contextos da vida de nossos pequenos, como a sua própria casa.

Começamos desde a semana passada a enviar propostas de atividades para serem feitas em família, mantendo valores tão caros para nosso projeto pedagógico, como o brincar, a literatura, o fazer artístico… Para além dessas propostas, esse momento se torna oportuno para que as crianças participem de outras tarefas em casa, tomando para si a responsabilidade pelo ambiente no qual fazem parte, o que também acontece quando estão na escola.

Perceber-se útil nas atividades rotineiras, que fazem a casa funcionar, dá para as crianças um lugar de pertencimento e de confiança que mostram o que significa ser um membro da família, que acreditamos em seu potencial e que apostamos na autonomia delas diante dos desafios que possam surgir.

Mas em que podemos envolvê-los? Que tal iniciar essa conversa convidando-as a pensarem como podem ajudar em casa? Juntos, a partir das ideias que surgirem, vocês podem trilhar um caminho que será percorrido ao longo desse período. Para inspirá-los, criamos uma lista de propostas com base no que as crianças já são convocadas a fazer na escola:

  • organizar seu material: armário, cama, brinquedos e materiais que serão usados para as propostas da escola;
  • ajudar nas tarefas domésticas: lavar louça, separar a roupa suja, tirar o lixo da casa;
  • aprender coisas novas: aprender uma nova receita, costurar aquela meia furada, bordar, consertar um brinquedo, plantar uma nova mudinha (pode ser de feijão, de alecrim, cebolinha);
  • cuidar dos membros da casa e da vida: alimentar os bichos de estimação, regar as plantas, dar banho nos cachorros nesses dias quentes, preparar o café da manhã dos irmãos ou da mãe e do pai, mandar mensagens de vídeo para os avós, tios e familiares que estão distantes, fazer desenhos para os vizinhos do prédio, manter o contato com os amigos;
  • construir um diário de “bordo”: nossa casa agora é nossa “nave”! Como podemos registrar este momento? Além do que vamos sugerir como registro frequente para as propostas vindas da Escola, escolha um jeito de registrar o dia a dia de vocês, em casa – diários escritos (com trechos ditados pelas crianças, fotos e legendas ou um aplicativo que faça este registro virtualmente);     
  • organizar um mural com símbolos: que representem as atividades sugeridas e os horários indicados para fazê-las com ou sem apoio de um adulto. A regularidade desta organização garantirá que as próprias crianças comecem a se dar conta de que a rotina pode acontecer sem que alguém precise nos lembrar de tudo.

Tudo o que estamos vivendo é novo, e com a novidade surgem incertezas. Para amenizar esse novo cenário, vamos nos cercar de momentos significativos ao lado de nossas famílias, mesmo que a comunicação nessa fase precise ser virtual. Torne esse período de maior proximidade com as crianças o mais verdadeiro possível, certamente vocês criarão memórias que vão trazer mais sentido ao valor de se viver em comunidade, ser solidário e respeitar o bem comum. Daqui, torcemos para que as boas notícias cheguem logo e possamos nos fortalecer nos abraços e afagos, que são tão valiosos para todos nós.

Por Escola da Vila
Autora: Fernanda Flores, direção pedagógica

Estamos em meio a uma situação que não víamos há anos, muitos de nossos alunos e alunas nem estavam na escola no ano de 2009, quando vivemos algo parecido com a chegada do vírus H1N1 no Brasil.

Surtos de doenças infectocontagiosas, como a COVID-19, geram especulações e é fácil sentir-se confuso com a onda de notícias e informações desencontradas, enfim, isso costuma trazer insegurança e pode gerar ansiedade. Famílias e equipes nas escolas devem ser cautelosas com as informações que fornecem para não assustar as crianças e jovens ou criar temores desnecessários.

Toda essa movimentação requer calma e a instauração de um clima de entendimento de que essa suspensão na vida da escola, por exemplo, é uma resposta coletiva para um surto que tem uma velocidade de propagação elevada.

É importante que as crianças escutem de nós que é esperado sentir-se com medo. E, nesses momentos, precisamos ocupar um espaço importantíssimo de escuta, acolhimento das dúvidas e receios, com a afirmação segura de que juntos passaremos por esse período.

Assim, para crianças e jovens é importante permitir que conheçam os fatos com explicações claras e francas. É oportuno destacar o papel da ciência nesse momento, ressaltar o quanto os médicos e cientistas estão trabalhando para que tudo seja resolvido e para que logo tenhamos uma vacina que proteja as pessoas.

Evidentemente, a idade das crianças faz muita diferença, e adaptar a fala é algo que precisa ser feito, com paciência para conversar e esclarecer muitas perguntas e assim, fazer com que sintam-se mais seguras e calmas.

No entanto, é nossa responsabilidade limitar a exposição e motivar as conversas em família. Dessa forma, crianças e jovens têm um espaço seguro e aberto para falar sobre notícias, esclarecendo dados e tirando dúvidas.

É muito importante eles ouvirem dos adultos de confiança que estão seguros ficando em suas casas por esse tempo e que é normal estarem preocupados com a situação, pois também nos sensibilizamos com quem não conhecemos. E isso se aprende vivendo esse momento.

Ver os adultos conversando sobre o tema, podendo fazer perguntas para entender por que a mãe está tão preocupada com seus avós, por exemplo, ajuda as crianças a entender seus próprios sentimentos e ensina o valor da empatia e solidariedade.

Como parte das medidas preventivas, é oportuno reforçar os cuidados pessoais, acompanhando e orientando as crianças e jovens a lavar as mãos depois de tossir, espirrar, antes e depois de comer e depois de usar o banheiro. Tratar da etiqueta respiratória, de espirrar nas curvas dos cotovelos e evitar tocar o rosto, posto que o vírus acessa o corpo pela boca, nariz e olhos.

Em relação aos jovens, recomendamos fortemente o podcast da psicóloga Lídia Aratangy, que pode ser ouvido aqui. Em linhas gerais a mensagem central é que se oportunize junto aos adolescentes a reflexão sobre a responsabilidade coletiva com o outro, que cuidar-se nesse momento é um ato de solidariedade para aqueles que compõem grupos de risco e aos que não dispõem do mesmo acesso ao sistema de saúde.

A mensagem vale para nós, leitores deste blog, o momento é de restrição pelo bem comum e assim, aprendemos juntos, coletivamente, que cuidar de cada um é cuidar de todos.