“Nascemos dentro de escolas, criando para escolas reais”: Dia Lab, patrocinador do II Congresso Abepar, fala sobre letramento em inteligência artificial nas escolas

Patrocinador Prata do II Congresso Abepar, o Dia Lab é um currículo de letramento crítico em inteligência artificial voltado a escolas de Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio. A Abepar conversou com Pablo Sales, um dos fundadores do projeto, que explica por que os dados sobre o uso de IA no Brasil motivaram a criação do currículo e conta como o caminho até o congresso passou pelas próprias escolas associadas.

Lançado no ano passado em cerca de 200 escolas do grupo Salta Educação, com aproximadamente 50 mil alunos, o Dia Lab ampliou sua atuação neste ano para escolas parceiras. Segundo Sales, de 20 a 30 instituições aderiram ao programa, somando cerca de 10 mil novos estudantes.

O currículo prevê uma aula semanal e está disponível do 6º ano do Fundamental à 2ª série do Ensino Médio. Atende às diretrizes do MEC para uso de IA na escola e incorpora a educação midiática e a BNCC da Computação. A proposta combina livro físico do aluno, plataforma digital com acesso a diferentes ferramentas de IA e apoio da equipe do Dia Lab às escolas parceiras, que inclui implementação, criação da política de uso de IA, seleção e formação de professores e acompanhamento ao longo do ano.

A motivação, explica Sales, é que estudantes e professores já usam IA no dia a dia, mas nem sempre de forma adequada, o que pode prejudicar a aprendizagem. Segundo dados citados por ele, o Brasil está à frente de países como Estados Unidos e Índia no uso educacional dessa tecnologia. O objetivo do letramento é que os alunos adquiram repertório para usá-la de maneira correta, sem prejudicar o projeto pedagógico da escola. “A gente fala que é uma aula para proteger todas as outras disciplinas”, resume.

Como principais diferenciais, o fundador aponta três pontos. O primeiro é a pesquisa e o desenvolvimento do produto, que incluíram visitas à China, à Coreia do Sul e aos Estados Unidos, e que segue para a Finlândia, Dinamarca e Estônia. O segundo é o apoio à implementação, já que o tema ainda é muito novo nas escolas: “Ainda não existem professores preparados para dar aula de IA”, afirma. Por isso, a equipe acompanha cada instituição de perto.

O terceiro é a origem do Dia Lab, criado dentro do ecossistema do LIV, que Sales descreve como o maior programa sócioemocional do país. “Quanto mais uso de IA, mais desafios socioemocionais”, diz. Para ele, isso permite oferecer um currículo de tecnologia que coloca o estudante no centro, em vez de um conteúdo técnico isolado.

Por ter nascido dentro de escolas, o Dia Lab também enfrentou desafios reais da rotina. Um deles foi o tempo de aula: no início, os professores levavam em média 10 minutos para começar a atividade.

Sobre a participação no congresso, Sales conta que a empresa soube do evento por duas escolas parceiras associadas à Abepar, que apresentaram o case do Dia Lab durante a Partilha de Práticas. Para o fundador, patrocinar o congresso foi uma forma de apoiar essas escolas e de se aproximar de outros associados e professores, já que o Dia Lab é um produto novo e ainda pouco conhecido. “Honestamente, o objetivo comercial vem em segundo plano”, afirma. O mais importante foi criar um ambiente de troca de experiências entre escolas que já trabalham com um tema tão recente.

Assista à entrevista completa com Pablo Sales.

Assista ao vídeo institucional do Dia Lab:

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