
A Escola da Vila, associada à Abepar, publicou um texto reflexivo sobre as Expedições Vila — experiências educativas que ampliam o território da aprendizagem e convidam os estudantes a observar, interpretar e se relacionar com o mundo para além dos limites físicos da escola.
O texto parte de uma provocação: durante muito tempo, as saídas escolares eram chamadas de “passeios” — uma palavra que carregava a ideia de pausa ou intervalo divertido. Hoje, a escola compreende essas experiências como oportunidades pedagógicas potentes, capazes de transformar conceitos abstratos em vivências concretas. Ao caminhar por um bairro, observar a organização das ruas ou reconhecer elementos da paisagem, as crianças exercitam um olhar atento e interrogativo sobre o mundo.
A reflexão dialoga com o pensamento do filósofo e ambientalista Ailton Krenak, especialmente com suas obras “A vida não é útil” e “A terra não está à venda”. A partir dessas referências, a escola propõe que as Expedições sejam vividas além da lógica da produtividade, como exercício de curiosidade, presença e pertencimento ao território. Cada espaço explorado carrega marcas da presença humana, da natureza e do tempo, e habitar o mundo implica também compreendê-lo e cuidar dele.
O texto também traz a perspectiva do pesquisador norte-americano Richard Louv, autor de A última criança na natureza, que aponta o crescente afastamento das crianças dos ambientes naturais e os impactos desse distanciamento no desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Para Louv, quando as crianças exploram o mundo natural com liberdade, desenvolvem uma relação de pertencimento com o ambiente — e a natureza deixa de ser cenário para se tornar parte da experiência de crescimento.
Além da relação com o ambiente, o texto destaca o caráter coletivo das expedições: caminhar juntos permite que as crianças compartilhem percepções, levantem hipóteses e construam interpretações em grupo. As saídas também representam um exercício de autonomia: ao explorar o mundo sem a presença das famílias, os estudantes enfrentam o desconhecido, adaptam-se a novos contextos e fortalecem a confiança em suas próprias capacidades.
Leia o texto completo no site da Escola da Vila.
