Escola da Vila reflete sobre o interclasses como espaço de formação ética e pertencimento

A Escola da Vila, associada à Abepar, compartilha o texto Fã de futebol ou fã de gente? O interclasses como oportunidade de experimentação, assinado por Beatriz Gandolfi, orientadora educacional do Ciclo 4. O texto parte da organização do interclasses do Fundamental 2 para refletir sobre o que acontece quando um campeonato escolar é pensado com atenção e intenção pedagógica. 

Na Vila, o interclasses é planejado e conduzido pelos próprios estudantes do 9º ano. Neste ano, a comissão organizadora partiu de duas determinações: o campeonato passaria por diferentes modalidades, não apenas futebol; e começaria pela disputa feminina, valorizando a ocupação desse espaço por quem normalmente não se sente seguro o suficiente para estar ali.

O que veio a seguir, segundo a autora, não estava combinado. Um aluno escolheu discretamente não defender um gol — não por despreparo, mas por reconhecer o quanto aquela finalização importava para o time adversário. Estudantes mais competitivos, diante de um time com apenas quatro integrantes, inventaram um rodízio para garantir que todos pudessem jogar. Meninas que chegaram ao portão da quadra com medo firmaram um pacto com os colegas: “se na vez de vocês, vocês forem, a gente vai agora.” Todos foram.

O texto traz também as vozes dos próprios estudantes organizadores. Helena Martinez, responsável pelo interclasses feminino, reflete sobre o encorajamento às mais novas e sobre um momento de conflito que a fez reconhecer sua própria responsabilidade como organizadora. Pedro Caballero, responsável pelo masculino, conta que aprender a lidar com conflitos entre amigos foi muito mais desafiador do que organizar a logística do campeonato — e que foi justamente aí que mais aprendeu.

Para Beatriz Gandolfi, o interclasses, quando bem referenciado, pode ser uma janela de experimentação — um espaço onde todos podem se permitir ser ao menos um pouco diferentes do que eram antes de entrar. Os estudantes do 9º ano medeiam conflitos, tomam decisões, se frustram e se animam. E ensinam, sem perceber, que cuidar do coletivo é uma das formas mais valiosas de estar no mundo.

Leia o texto completo no site da Escola da Vila.

 

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