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Democracia e solução de conflitos

Democracia e solução de conflitos (7)

Tudo o que acontece na vida social reflete-se na escola. É o caso do acirramento de conflitos envolvendo diferentes posições sobre a conjuntura política nacional. Como educadores, somos responsáveis por criar na escola um ambiente favorável à livre expressão de opiniões, análises e pontos de vista sobre os mais diversos temas, inclusive sobre política nacional.

Reunimos na Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares) instituições de reconhecida qualidade, porém com valores e projetos pedagógicos singulares. Acima de eventuais diferenças, compartilhamos princípios e ideais comuns. Um deles é, certamente, a defesa da democracia, da livre manifestação de ideias e do respeito a quem pensa diferente de nós. 

Esta é talvez a maior virtude da democracia – a aceitação natural do dissenso. Se somos democráticos é porque aceitamos, por princípio, que somos diferentes. Daí a natural alternância de poder. Quem ocupa hoje o governo estará um dia na oposição e vice-versa.

Mais do que respeitar a liberdade, fazemos dela um valor que compartilhamos com nossos alunos e com nossas comunidades. E liberdade é, essencialmente, a liberdade de quem pensa diferente de nós. Por tudo isso, estimulamos desde sempre os nossos alunos a expressar com serenidade as suas ideias, pensamentos e análises, procurando em cada caso qualificá-las e embasá-las com argumentos sólidos, sem prejuízo do respeito às posições contrárias.

Queremos que não prospere entre eles a mera briga de torcidas. Não basta dizer sim ou não. É preciso buscar argumentos que justifiquem as diferentes análises sobre qualquer assunto. É assim que crescemos como seres humanos e como sociedade.

É preciso ter em mente ainda que as eventuais maiorias são fluídas no regime democrático. São formadas e desfeitas ao sabor de inúmeros fatores e circunstâncias. Mesmo quem hoje é maioria precisa limitar a sua atuação pelo estrito respeito às minorias. A soberania popular, sobre a qual se assenta a democracia representativa, deve ser exercida dentro de limites que precisam levar em conta o respeito às minorias. 

Estamos seguros de que haveremos de superar as animosidades do presente, pois a democracia é um regime propício à solução de conflitos. Mesmo diante de posturas aparentemente irreconciliáveis, a estrutura de poder vigente no país oferece a solução, que é a Justiça, que cumpre exatamente esse papel. Quando as partes não chegam a um acordo, a Justiça é o caminho que pode conduzir à superação do impasse. 

Nesse capítulo importante da vida nacional, uma de nossas mais importantes contribuições à sociedade é difundir esses valores e princípios próprios à democracia e ao Estado de Direito, ajudando a formar aqueles que serão os protagonistas do futuro, que esperamos mais justo, democrático e solidário. 

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A rotina mudou de um dia para o outro, com a quarentena e as medidas de distanciamento social necessárias ao combate à Covid-19. A escola estava lá, no mesmo lugar. As salas, prontas, limpas, organizadas. Os pátios, livres. As equipes, preparadas. Havia, no entanto, uma ameaça no horizonte – a pandemia do novo coronavírus. Num prazo muito curto, a gravidade da crise levou as autoridades sanitárias a interromper as aulas.

Os atores principais da escola foram então impedidos pela pandemia de desempenhar as suas respectivas funções. Nada de alunos, professores, coordenadores, funcionários. Tudo o que era presencial passou para o ambiente digital. Aulas ‘olho no olho’ foram substituídas por atividades não-presenciais.

Estava configurado um cenário que não fora antes imaginado por ninguém. Foi um choque para toda a comunidade. A começar dos alunos e de suas famílias, além da própria escola. Famílias e instituições de ensino conviviam até então dentro de um bem conhecido modelo histórico, no qual o espaço escolar era peça-chave por representar um outro ambiente, externo à casa, tão importante para a convivência social e a aprendizagem. Nesse arranjo, famílias e escolas dividiam funções, compartilhavam valores, objetivos, interesses. 

Com a quarentena, isso mudou, lembra Debora Vaz, diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz. Não há mais a presença física do aluno na escola. Ele passou a ficar o tempo todo em casa, dividindo espaço com irmãos e pais, num esquema de vida pouco experimentado até então, salvo no oásis das férias. “É legítimo e saudável que as famílias e as próprias escolas sintam falta daquilo que estava bem-dividido e bem-resolvido”, aponta Debora. 

Do ponto de vista da escola, o desafio foi grande mesmo para instituições como o Santa Cruz que se debruça sobre o universo digital há mais de 20 anos. “Apesar de toda a nossa experiência nesse campo”, relata Debora Vaz, “não foi tão simples quanto virar uma chave”. Foi preciso recorrer à “força da equipe” – o que inclui professores, coordenadores, auxiliares, equipe técnica e funcionários – para fazer frente ao desafio e oferecer o melhor aos alunos.

O “Santa”, como é conhecido o Colégio, vinha de reflexões e práticas diversificadas envolvendo a cultura digital e a cultura da instituição. A escola preparava-se há muito por meio de um estudo sistemático desse tema. As fontes e referências eram e são bem conhecidas por suas pesquisas e obras, envolvendo nomes como David Buckingham, diretor de um importante centro de estudos de mídia e cultura digital da Universidade de Londres, Flora Perelman, professora da Universidade de La Plata na Argentina, Beth Almeida, da PUC-SP, entre outros.

Cultura digital não se resume a tecnologia

O Núcleo de Cultura Digital não atua como um simples apoio nas questões de tecnologia. É um centro que promove formação, intervenção e interlocução com a escola sobre os efeitos da cultura digital no projeto curricular e na instituição como um todo. “Quando falamos de cultura digital já nos descolamos da ideia única de tecnologia”, contextualiza Debora Vaz. Saiba no quadro ao lado quais são os objetivos do currículo digital do Santa Cruz, segundo o coordenador do Núcleo, Moises Zylbersztajn.

Na passagem do presencial para as atividades não-presenciais, a Equipe do Colégio procurou desde o primeiro momento orientar-se segundo os princípios e os elementos norteadores que são a razão de ser da instituição. Um deles é a diversidade da Equipe. “Diversidade na excelência, diversidade na competência”, ressalta Vaz.

“Não defendemos um modelo único para todos os professores”, aponta a diretora. E isso foi decisivo para as primeiros momentos da quarentena. “Consideramos que o perfil e o saber específico de cada professor precisam aparecer, devem estar visíveis na formulação das atividades”.

Depois de adotada a quarentena, a escola organizou núcleos emergenciais. “Tínhamos também acabado de finalizar um grupo de estudos sobre esse tema com a participação de 90 professores”, lembra a educadora. Grande parte dos professores já dispunha de boa estrutura em termos de recursos digitais em casa. Para aqueles que tinham computadores mais antigos, a escola forneceu equipamentos atualizados. Uma equipe robusta de educação digital com membros distribuídos por série foi montada para apoiar os colegas. 

“Organizamos em tempo recorde um site chamado Santa Virtual, que é onde publicamos todas as boas práticas”, conta a diretora. Cada segmento produziu e organizou sua produção em seus próprios ambientes de ensino virtual e também no Santa Virtual. Tudo para favorecer e estimular uma troca mais intensa entre os professores. “A natureza colaborativa do Santa Cruz e o princípio humanista presente nas relações prevaleceram mais uma vez”, relata Debora. 

O Santa Virtual reúne tutoriais bem-elaborados e uma série de conteúdos pedagógicos em formato digital. “Os professores mais experientes ajudaram os mais novos a compreender esses tutoriais”, lembra a diretora. “Foi uma lindeza”. 

Um outro setor que entrou ativamente nesse processo foi a Biblioteca, que se organizou como uma grande curadoria de conteúdo e um polo de centralização de tudo aquilo que envolvia a cultura do escrito, ainda que em suporte digital. 

Debora conta que até a segunda semana da quarentena, a equipe da Escola já havia produzido mais de 80 objetos digitais de literatura só para o Fundamental 1, fora os disponíveis nas redes e nas editoras que abriram os seus arquivos. A Biblioteca organizou um núcleo central dentro do Santa Virtual tanto de curadoria quanto de centralização de todo esse saber letrado em suporte digital.

Do mesmo esforço participou o Nupi, Núcleo de Práticas Inclusivas do Santa, que tem uma equipe de coordenação, assistentes e estagiários. Esse Núcleo deu logo início ao trabalho de suporte aos professores no planejamento de práticas inclusivas focado nos alunos, em iniciativas que ora são coordenadas pelos professores ora pelos membros do Nupi. “Ninguém poderia ficar de fora”, sustenta Debora Vaz. “Todos são alunos do Santa”.

Nada de replicar aulas presenciais no digital

A Equipe do Santa Cruz entendeu desde o início que não era o caso de replicar as aulas presenciais no ambiente digital, simulando a escola tal como existia antes da quarentena. Esse modelo não funcionaria bem para as características da instituição e não se coadunava com a sua cultura pedagógica. 

O caminho foi usar todas as plataformas e ferramentas digitais já utilizadas pela escola, com alternativas e soluções pedagógicas diversificadas cuja montagem contou com a participação decisiva dos próprios professores. A busca por novos recursos e ferramentas nunca termina.

A partir do Ensino Fundamental 2 até o Ensino Médio, as lives ou encontros “síncronos” acontecem todos os dias. Mas o objetivo aqui é muito mais o de promover a colaboração, a troca e a síntese entre alunos e dos alunos com os professores. 

“Não queremos substituir ou simular um horário único o tempo todo, um momento real e imediato de aula”, explica a diretora pedagógica. “Continuamos, por exemplo, acreditando na importância da aula expositiva especialmente se ela deixar espaços para o diálogo, a troca de olhares, os estranhamentos, as contribuições dos alunos.”

Moises Zylbersztajn, coordenador do Núcleo de Cultura Digital do Santa, acrescenta: “às vezes nem é uma videoconferência, é um fórum em que o professor cria e fica de plantão naquele período para conversar com os alunos”.

Para oferecer o necessário conteúdo curricular, professores gravam aulas em vídeo e encaminham sequências didáticas aos alunos. “Desde o início, as equipes acompanharam a regulação nas áreas e disciplinas e na proposição de conteúdos que coubessem na rotina dos alunos”, lembra Moises. “Aos poucos, passamos a compreender o ritmo mais adequado e a planejar as atividades em prazos possíveis e bem distribuídos.”

Plataformas: Moodle e Google Sala de Aula

A plataforma mais utilizada no Fundamental 2 e no Ensino Médio é o Moodle. Ela foi escolhida porque permite uma “conversa” com outras plataformas e recursos. “Essa flexibilidade nos agrada muito”, aponta Debora Vaz. Moises Zylbersztajn dá mais detalhes:

–  Vivemos há 15 anos dentro do Moodle. Professoras do Fundamental 2 e do Médio publicam há muito tempo conteúdos complementares, sugestões, aprofundamentos, ampliações dentro do Moodle de cada curso. Quando se trata de uma atividade de avaliação, ou trabalho coletivo, eles podem apontar um hiperlink para o Google Sala de Aula. E aí fica misturado, que é o ideal. Procuramos tirar o melhor de cada plataforma.

No Fundamental 1 e na Educação Infantil o Santa Cruz recorre ao Google Sala de Aula como plataforma principal, que se soma a um vasto repertório de recursos e ferramentas digitais. Debora Vaz dá mais detalhes: 

Em todas as séries usamos inicialmente a força das equipes para produzir objetos digitais, aulas, sequências que pudessem servir para a sua própria sala de aula e, também, para serem compartilhados com os colegas. Há materiais compartilhados entre os professores de cada série e há outro tanto que é de autoria local e original de cada professor de sala. No 1º e no 2º  anos, o mesmo modelo, o Google Sala de Aula. No 1º ano, como os alunos ainda não têm autonomia plena para usar esses recursos, precisamos contar com a mediação de adultos (pais ou outros familiares). Trabalhamos bastante para não confundir a necessidade da presença de um adulto com convocar o pai a ser professor. A gente não quer isso. Eles devem apoiar a mediação.

Currículo publicado na nuvem e avaliação

Um dos efeitos inesperados, e positivos, da quarentena e da migração para o digital é lembrado pelo coordenador do Núcleo de Cultura Digital. Moises Zylbersztajn revela que  “parte do currículo da escola está agora publicado em suportes, telas que adentraram às salas, quartos, cozinhas...”. Esta é uma oportunidade para que os pais conheçam em detalhes o “conjunto da obra” do Santa. 

Nesse novo momento, professores e coordenadores são estimulados a olhar permanentemente para esse acervo e a pensar sobre ele, de forma a superar desafios e a propor novos caminhos. “Esta é uma marca identitária do Santa”, afirma Moises.

A avaliação foi outra decisiva atividade pedagógica a sofrer enorme impacto com a migração para o digital. “Não adotaríamos um modelo único de avaliação”, explica Debora Vaz. “Isso quebraria um princípio da escola que acredita nas avaliações parciais, processuais, que valoriza a ideia de que os professores das áreas e das disciplinas têm saberes muito específicos sobre avaliação que precisam ser levados em conta”.

Para Debora Vaz, a avaliação deve considerar um dos “eixos fundantes” do Santa Cruz. A Escola “aposta muito na formação acadêmica bem construída, sólida e complexa”. E, simultaneamente, dá valor à formação de um aluno culto, crítico, sensível, aberto à música, à literatura, às artes plásticas, às artes em geral. Diante desse cenário, um único modelo de avaliação não seria suficiente.

Moises Zylbersztajn acrescenta outras reflexões. Na quarentena, os alunos consultam os colegas, a internet. Nessas circunstâncias, como produzir uma avaliação sobre o que eles aprenderam? “Precisamos talvez de avaliações que abram caminho para que os alunos possam pensar por conta própria e apresentar reflexões originais e pessoais que naturalmente não são passíveis de plágio”. 

Moises acredita também que é importante pensar em modelos de avaliação mais coletivo, menos individual. Como os alunos estão conectados entre si, talvez a avaliação devesse levar em conta os trabalhos mais coletivos. “Como podemos aproveitar melhor esse poder do coletivo?”

A importância crescente da escola

“A quarentena não vai durar para sempre”, brinca Debora Vaz. O importante, ela acredita, é ampliar a escuta, compreender as demandas dos professores, dos alunos e das famílias, agir em consequência desse aprendizado e manter-se sempre aberta às mudanças da realidade. “A atitude do Colégio Santa Cruz é uma atitude aprendente”.

Estamos melhorando as nossas práticas, ampliando as escutas, formulando perguntas cada vez melhores para a equipe, os alunos e os pais. Tudo isso para poder aprender sempre. A escola faz falta na vida das crianças, dos jovens e dos adolescentes. Queremos fazer dessa experiência um momento de aprendizagem.

Moises Zylbersztajn segue o raciocínio: 

É uma situação que potencialmente nos permite avançar em relação à cultura digital, sem abrir mão, no entanto, do legado e da importância da construção histórica da escola. Todos, sem exceção, estamos sendo chamados a lidar com gestão de informação, documentação, arquivos, vídeos, produção, publicação, consumo de material digital. A fluência digital possibilita um uso mais intenso, inédito, que não existiria se não houvesse essa crise. Diria que reconhecemos as conquistas e faremos uma grande reflexão sobre as aprendizagens possíveis em meio a essa importante crise mundial.

 

Adotada como principal medida de prevenção contra a pandemia de Covid-19, a quarentena impôs à sociedade alguns desafios. A Escola Mais, associada à Abepar, é uma das escolas de São Paulo que tem encarado o desafio de dar continuidade ao processo pedagógico com a mesma qualidade oferecida no ensino presencial. Para dar o suporte necessário aos alunos do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio matriculados nas três unidades da capital, a Escola Mais tem utilizado como nunca a tecnologia já conhecida pela comunidade escolar.

De acordo com José Luiz Aliperti Jr., diretor presidente e sócio-fundador da Escola, a migração das aulas para o ambiente virtual foi tranquila graças à experiência adquirida por alunos e professores com as ferramentas tecnológicas. Ao chegar à Escola Mais cada aluno recebe um computador e pode acessar a plataforma Escola Mais Digital todos os dias. “Essa plataforma já oferece suporte a videoaulas ao vivo”, explicou o diretor. “Só integramos mais este recurso ao nosso dia a dia, o que tornou a migração muito mais fácil. Todo o processo, inclusive, foi muito bem avaliado pelas famílias”. 

A rotina dos alunos ficou praticamente inalterada, segundo Aliperti. “A Escola Mais é uma instituição de período integral, o que significa que os alunos continuam estudando pela mesma carga horária”, conta. Pela manhã, os estudantes assistem às aulas ao vivo com os professores. À tarde, através da plataforma Escola Mais Digital, cumprem o roteiro de estudos desenvolvido pela equipe pedagógica, que contam com conteúdos em diferentes formatos, além de exercícios e avaliações.

Além das aulas ao vivo e do roteiro de estudos, os estudantes contam com atendimento individual e também com a mentoria oferecida pela equipe pedagógica. Individualmente ou em pequenos grupos, os alunos que apresentam alguma dificuldade em compreender os conteúdos são atendidos pelos professores, que os auxiliam em suas dúvidas. 

“A equipe está muito envolvida na manutenção das atividades da Escola neste momento”, conta o diretor. “Apesar do grande impacto que o distanciamento trouxe ao modo como trabalhávamos, estão todos muito motivados e engajados em fazer o seu melhor”.

Atendimento à rede pública de ensino

A expertise da Escola Mais na utilização de plataformas educacionais é também compartilhada com a rede pública de ensino. A Escola Mais Digital, iniciativa criada pela instituição, oferece gratuitamente aos alunos das escolas públicas os materiais pedagógicos desenvolvidos pela Mais. 

“A iniciativa disponibiliza aos alunos da rede pública o acesso a todos os conteúdos da Escola Mais Digital, além da programação de mais de 4 horas diárias de aulas com transmissão ao vivo”, esclarece o diretor. 

Em São Paulo, o programa Escola Mais Digital está disponível para toda a rede estadual de ensino, que conta com mais de 1,3 milhão de alunos. Mas o serviço também é oferecido a municípios de outros estados, como os de Salvador (BA), Nova Iguaçu (RJ), Casimiro de Abreu (RJ), Araripina (PE), Caruaru (PE) e de Gentio de Ouro (BA). No total, são atendidos mais de 1,5 milhão de alunos da rede pública.

“Não é o caso do Estado de São Paulo, mas a maioria dos alunos atendidos pela Escola Mais Digital depende exclusivamente desse programa para prosseguir com seus próprios estudos durante a quarentena”, afirma o diretor. 

Aprendizados e pós-quarentena

A experiência com as aulas não presenciais tem trazido aprendizados interessantes para a equipe pedagógica da Escola Mais. Exemplo disso são as aulas ao vivo que ficam gravadas na plataforma Escola Mais Digital.

“Descobrimos que esta é uma funcionalidade muito útil para uma série de situações”, comenta o diretor. “Embora a Escola conte com quase todos os seus alunos participando das aulas ao vivo todos os dias, é normal que alguns estudantes não possam participar das aulas por algum motivo, vez ou outra. E esses estudantes podem facilmente assistir à gravação da aula que perderam”. 

Os professores também são orientados a aprimorar suas práticas através da plataforma. A partir das gravações, a equipe pedagógica assiste às aulas dos professores e desenvolve um processo de formação continuada para que os docentes possam aprimorar a sua didática. “Estes são alguns exemplos de benefícios que os recursos utilizados podem trazer também ao presencial”. 

Essas e outras ideias estão sendo avaliadas por um comitê especialmente organizado pela Escola Mais para definir como receber a comunidade escolar – alunos, famílias, professores e funcionários – e como retomar as aulas depois da quarentena. “Certamente há outras soluções que podemos incorporar e que poderão beneficiar a rotina escolar de outras maneiras”, acredita José Luiz. 

 

Quase dois meses após a interrupção das atividades presenciais devido à pandemia do novo coronavírus, a Escola Lourenço Castanho já se adaptou a nova rotina e dá continuidade ao trabalho por meio de plataformas online. Associada à Abepar, essa tradicional instituição está situada na Vila Nova Conceição, bairro da zona Sul da capital. A escola atende do Ensino Infantil ao Médio e mantém, mesmo a distância, o contato e a atenção constante com os alunos de todas as séries e suas famílias. 

Educação Infantil 

Na Educação Infantil, são preparados e enviados, por e-mail, materiais semanais para que os pais possam realizar com as crianças. As professoras gravam vídeos e áudios, propõem atividades e fazem contação de histórias para as crianças.  

O diretor geral da escola, Alexandre Abbatepaulo, conta que de tempos em tempos, o Infantil tem acesso a um material físico que os pais retiram na escola e que contém materiais de papelaria, brincadeiras e jogos de modo a facilitar a realização das atividades propostas pelas professoras. 

Um dos momentos importantes durante esse processo envolve os encontros ao vivo com os amigos e professoras, via Zoom. Eles são agendados com os pais e a frequência vária para cada faixa etária. Os menores participam de um número menor de encontros durante a semana e os maiores têm mais dias de lives. 

O trabalho está sendo bem aceito pelos pais, que também recebem suporte da escola. “Realizamos várias rodas de conversa com eles, para dar um apoio nesse momento”, explica Abbatepaulo. “A gente tem um trabalho no lado educacional e de acolhimento às famílias muito forte na Lourenço. Mantivemos isso durante esse período”. 

Ensino Fundamental 1

No Fundamental 1, a forma de trabalho é similar ao Infantil, mas com maior intensidade. As atividades e propostas são encaminhadas por e-mail aos pais, assim como o agendamento das lives. Os encontros ao vivo ganham mais frequência de acordo com as séries, sendo realizadas diariamente com o 4º e 5º anos. 

Segundo o diretor geral, esse modelo foi sendo construído ao longo do tempo, até chegar a um formato que se adaptasse e atendesse a todos, como aconteceu com as lives. “O desejo dos pais no início era que aumentássemos o número desses encontros. Fizemos isso de modo a que todos se sentissem mais confortáveis e adaptados”.  

Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio

A plataforma Moodle, que já era utilizada pela escola, virou a ferramenta principal para a continuidade do trabalho no Fundamental 2 e Ensino Médio. As atividades, tarefas e trabalhos são postados na plataforma e todos os alunos e professores têm acesso. 

Os professores tem a autonomia de decidir a melhor forma de compor cada aula, podendo ser uma videoaula ou uma aula ao vivo por meio do Teams. “A gente percebeu conversando com os alunos que quando o professor ensina uma matéria nova, eles preferem videoaula”, conta o diretor geral. “Quando é uma resolução de exercícios, por exemplo, eles preferem a aula ao vivo, para poder ter uma interação maior”. 

Durante o período da tarde, os alunos têm acesso a um plantão de dúvidas, como acontecia presencialmente na escola. Os professores designados para cada dia ficam disponíveis no Teams e os alunos podem entrar e conversar com eles.

Os momentos da orientação educacional também foram adaptados para o ambiente virtual. São marcados horários com cada turma e, às vezes, com grupos menores para os alunos conversarem com o coordenador da série e entre si. Além da roda de conversa com os pais, que acontece em todas as séries.

Depois da adaptação, o processo de avaliação começou a ser preparado para o Fundamental 2 e Ensino Médio. As provas são pensadas na plataforma Moodle, que permite a criação de provas tanto de múltipla escolha quanto dissertativas. 

Desafios e aprendizagens

Abbatepaulo conta que o período de transição para o novo modelo foi um desafio para os professores. Agora, a estrutura está rodando de maneira funcional, com todos já familiarizados. “Essa aproximação com a tecnologia foi algo muito importante que aconteceu e que precisava acontecer”, diz. “A gente vai poder aproveitar algumas dessas estruturas e mantê-las quando voltarmos”.

 

 

Mesmo com o distanciamento social, imposto pelo novo coranavírus, a Carandá Vivavida continua próxima da comunidade escolar. Na última edição da sua newsletter, a escola passa uma mensagem para pais, alunos e professores: “Estamos juntos, mesmo que a distância”.  

Nessa edição, entre outros assuntos, pais e alunos também contam, em depoimentos, como estão passando por esse período de isolamento e como cada um está se adaptando à nova rotina. 

Veja a news completa aqui.

O Projeto 2021 continua na Carandá Vivavida e a mudança para a nova sede está prevista para junho do ano que vem. A nova edição da newsletter da escola mostra todos os cuidados tomados durante as obras nesse período de pandemia, com o intuito de preservar a equipe e manter o projeto avançando. 

Essa edição também está recheada de dicas de livros e filmes para a comunidade escolar, que agora entra em férias, e traz mais detalhes sobre o Curso de Férias da Carandá. Confira na newsletter. 

Com o distanciamento social imposto pela Covid-19, o Colégio Santa Maria também precisou se adaptar à nova realidade de aulas não-presenciais. O Colégio, associado à Abepar, dispõe de diversas plataformas digitais, adequadas para cada etapa de ensino, que permitiram à equipe pedagógica dar sequência ao trabalho iniciado no começo do ano letivo. Com a equipe escolar e as famílias em contato frequente, todos os alunos tiveram o suporte necessário para continuar estudando e aprendendo. 

Infantil: atividades e brincadeiras

A essência da Educação Infantil não foi perdida durante a quarentena. A equipe organizou propostas e orientações de atividades e brincadeiras que levam em conta a concepção do Colégio sobre o que é a infância, o brincar e as diferentes linguagens para as crianças. 

A coordenadora da Educação Infantil, Dra. Karine Ramos, conta que no início foi criado um canal no Youtube para que os pais pudessem acessar com as crianças. Nesse espaço foram postados vídeos das professoras cantando músicas e lendo histórias infantis para os alunos. 

Com o prolongamento da quarentena, a equipe decidiu pela criação de um Google Classroom para que as crianças pudessem ver as professoras. Diariamente, elas postam vídeos com a rotina do dia, com uma atividade e várias brincadeiras. No espaço, os pais também recebem orientações sobre como realizar as propostas.

"Procuramos encontrar um equilíbrio. Nossa intenção é garantir o bem-estar das crianças, e não enchê-las de atividades", diz Karine. “Além disso, damos uma orientação aos pais para que eles não fiquem sem um encaminhamento pensado e planejado por pedagogas".

O Colégio incorporou também os momentos de live, em que duas vezes por semana as crianças se reúnem ao vivo com a professora. Nesses dias, todos podem se ver e conversar e as professoras preparam músicas, histórias e atividades de movimento para realizar com as crianças. 

Ensino Fundamental 

O plano pedagógico no Fundamental vem sendo desenvolvido normalmente através da plataforma Edmodo. Esse recurso já era utilizado com os alunos de 3º a 9º e, com a quarentena, foi implementado em todas as séries. “Aproveitamos o espaço que tínhamos ali e que os alunos já sabiam utilizar”, explica o coordenador de tecnologia educacional, Muriel Vieira Rubens. 

Todas as atividades, tarefas e videoaulas ficam registradas na plataforma para que o aluno possa acessar quando quiser. O mesmo acontece com as lives. As transmissões ao vivo são um momento de interação entre alunos e professores para tirar dúvidas e fazer correções, além de ajudar os alunos a assimilar novos conhecimentos.

Os professores também têm acesso a um estúdio de audiovisual no Colégio, onde podem gravar as videoaulas e outros materiais, recebendo todo o suporte presencial da equipe de tecnologia. 

Para ajudar as famílias e os professores com as diversas ferramentas, o Colégio preparou um endereço na web, reunindo tutoriais sobre como utilizar cada recurso. “Lá eles aprendem a acessar a plataforma, como verificar as tarefas postadas e obtêm dicas sobre as chamadas de vídeo”, conta Rubens. “Preparamos esses materiais de acordo com a demanda recebida ao longo do tempo”. 

Além dos conteúdos, a escola é um local de trocas, de socialização e de diversão. Pensando nisso, o Santa Maria preparou gincanas para os alunos, uma proposta que vem do presencial e está sendo adaptada para a modalidade a distância. “É preciso oferecer coisas novas para os alunos”, acredita o coordenador de TE. “Isso dá mais dinamismo à rotina deles e combate o tédio de ficar em casa o tempo inteiro”.

O Ensino Médio e as novas plataformas

Este ano, o Colégio Santa Maria havia iniciado a reformulação do Ensino Médio, adotando o regime integral e com mudanças profundas no currículo escolar. São medidas graduais, que começaram a ser implementadas no 1º ano e incluíam a introdução de novas disciplinas, novas dinâmicas de aulas e de sistema de avaliação.

Para viabilizar esse novo modelo, o Colégio adotou a plataforma Google For Education, com o Google Classroom, e forneceu cursos e treinamentos para todos os professores do Ensino Médio. Quando as atividades presenciais tiveram que ser interrompidas, todos já estavam familiarizados com as ferramentas online, que passaram a ser utilizadas em todas as séries. 

Segundo Silvio Freire, diretor do Ensino Médio, a equipe se organizou por áreas de conhecimento e os coordenadores de cada série montaram grupos de formação para desenvolver as atividades. “Também estabelecemos um cronograma para cada semana”, conta o diretor. “Decidimos o que e como cada professor vai trabalhar com os alunos. Assim, todo mundo se ajuda e fica a par do que está acontecendo”. 

No online as aulas ganham outra dinâmica e cada professor utiliza as ferramentas mais adequadas para a sua disciplina. Freire conta que o Google oferece mais de 60 tipos de atividades diferentes, e os professores usam isso a seu favor. As aulas se dividem em videoaulas e lives, mas a hora de resolver exercícios e de tirar dúvidas acontece sempre ao vivo, com a ajuda do professor. 

As aulas de artes e de educação física também foram mantidas, assim como as avaliações, que ganharam adaptações para esse momento.  “Os resultados estão sendo bastante positivos, todos se adaptaram bem”, conta Freire. 

Os alunos do 3º ano que participavam do cursinho pré-vestibular oferecido na escola continuam com as aulas em casa. "Como o cursinho é do Sistema Anglo, a plataforma é diferente. Mas eles continuam os estudos da mesma forma, com aulas ao vivo e ferramentas fornecidas pelo Sistema Plural", explica o diretor do Ensino Médio.

Contato com as famílias

Em todas as séries, o contato com as famílias foi intensificado. Sem perder a sua essência, o Colégio continua atendendo e dando suporte a quem precisa. No Ensino Fundamental e Médio, os coordenadores entram em contato com os responsáveis quando notam que algum aluno não tem entrados nas aulas. Eles procuram também orientar as famílias que tenham alguma dificuldade no uso das ferramentas. 

Na Educação Infantil, Karine Ramos, coordenadora desse segmento, conta que as famílias estão gostando das propostas e gratas por todo o suporte. “Um dos pontos positivos que toda a escola vai levar para quando retornarmos às atividades é esse fortalecimento da parceria entre a família e a escola”, diz. “As dificuldades da vida fazem com que as pessoas criem vínculos ainda mais fortes”.

O Colégio Pentágono, associado à Abepar, suspendeu as atividades nas suas quatro unidades na zona Sul de São Paulo dias depois que as autoridades sanitárias propuseram a interrupção das aulas presenciais como medida de combate à disseminação do novo coronavírus. No entanto, mesmo de portões fechados, as aulas continuaram no ambiente virtual a toda velocidade. A comunidade escolar permaneceu e permanece conectada pela internet. As aulas seguem em horário regular e o atendimento individualizado aos alunos e famílias, que é uma das principais características do Colégio, foi mantido como prioridade. 

Experiência com tecnologia

A experiência já acumulada pelo Colégio com os recursos tecnológicos facilitou bastante a continuidade do processo pedagógico no ambiente virtual depois da quarentena. “O Pentágono já utilizava as ferramentas da Google for Education há quatro anos e as quatro unidades estavam conectadas por rede”, conta Marcelo Martins, coordenador de Tecnologia da Informação do Colégio.  “A maioria da equipe de pedagógica já estava familiarizada com os recursos”. 

Além disso, chromebooks (notebooks do Google) utilizados no Colégio foram emprestados a alunos e professores que precisassem de mais um computador em casa. Já as salas de aula ganharam estrutura tecnológica. “Cada disciplina conta com sua sala de aula online, criada pelo Google Classroom”, comenta o coordenador. “Os professores de Matemática têm sua sala de aula, assim como os de Física, Química, História e assim por diante”. 

O Pentágono também ofereceu treinamento aos professores para utilizar novos recursos - como o Google Site para os professores da Educação Infantil. “O Google Site é como um portal, desenvolvido pelos professores especialistas com o suporte do TI, no qual são disponibilizados conteúdos educativos, atividades e exercícios aos alunos”, explica Marcelo Martins. “A interação com os alunos pelos portais tem sido ótima. Em breve, deverá ser utilizado também pelos professores dos demais níveis”.

A rotina da escola no ambiente virtual

Antes da migração para o ambiente virtual, a equipe pedagógica responsável pela Educação Infantil e pelo 1º ano do Ensino Fundamental do Pentágono planejou todas as atividades que poderiam ser realizadas remotamente. “O planejamento foi feito pensando no maior benefício para o aluno”, garante Patrícia Nogueira, diretora geral pedagógica do Colégio. “Refletimos sobre quais atividades poderiam ser feitas de forma remota e quais deveriam ser retomadas quando as aulas presenciais voltarem”. 

Em relação às atividades remotas, a diretora conta que a equipe de professores prepara e envia semanalmente as atividades a serem desenvolvidas em casa, compartilhando com as famílias as intenções de cada experiência. “As professoras gravam, por exemplo, vídeos de apresentação da semana e de encerramento, além da vídeos de contação de histórias”, afirma a diretora. “Também são sugeridos horários em que as atividades podem ser realizadas, mas cada família é livre para seguir a sua própria rotina”.

Os encontros ao vivo também acontecem. O Colégio inaugurou recentemente o uso do Google Meet para a Educação Infantil. De tempos em tempos, crianças e professoras podem conversar e matar as saudades. 

Já a partir dos anos iniciais do Ensino Fundamental 1 (2º ao 5º ano), os alunos passam a acessar o ambiente virtual de forma mais autônoma e acompanham as atividades no horário regular de aula. O mesmo acontece com os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) ao Ensino Médio. As aulas acontecem ao vivo e as atividades avaliativas tem sido realizadas normalmente, após serem adaptadas para o digital. 

“A maioria das famílias está satisfeita. Alguns pais e mães até assistem as aulas com os alunos”, conta a diretora.

Suporte especial a alunos e professores

O colégio segue promovendo um atendimento especial aos estudantes. Professores e professores auxiliares dão todo o suporte necessário aos alunos que precisam de ajuda extra durante os estudos. Aos que gostam de desafios, a equipe pedagógica prepara tarefas e atividades que incentivem ainda mais o questionamento, a pesquisa e a busca por conhecimento.

As aulas também são acompanhadas pelos coordenadores, que observam os encontros online para colher informações afim de orientar a equipe pedagógica no aprimoramento de pontos específicos das aulas. O objetivo desse acompanhando é garantir a alta qualidade do ensino também no ambiente virtual.  

Transformação digital

Para o coordenador Marcelo Martins, a quarentena forçou a aceleração digital das empresas. E a comunidade escolar do Pentágono também foi convencida de que esse era o melhor caminho a seguir. “Tudo tem sido publicado online e continuado de forma colaborativa. São recursos que vieram para ficar”, afirma.

Patrícia Nogueira concorda que os desafios impostos pela quarentena não assustaram a equipe pedagógica do Pentágono. “O que percebemos é uma vontade enorme de acertar. Qualquer resistência que havia em relação à tecnologia não existe mais”, diz. “Todos tiveram que aprender. E à medida em que aprendíamos a trabalhar no ambiente digital, passamos a gostar das possibilidades que a tecnologia oferece e a querer aprender mais”.

Ainda que a tecnologia estimule o professor a pesquisar novas possibilidades e estratégias, Patrícia Nogueira considera que o virtual não substitui o contato, tão importante para o ambiente escolar. 

“O trabalho presencial promove o olho no olho, a interação entre alunos e professores, a questão do afeto”, lembra a diretora. “Essa relação o ambiente virtual não supre”, lembra Patrícia. “O abraço que a criança dá na professora ao chegar na escola, o ‘bom dia’ e o ‘boa tarde’ entre colegas e alunos: tudo isso faz parte da essência da escola e da relação pedagógica”. 

Ainda assim, Patrícia acredita que há sempre o que se aproveitar do momento. “Ao término deste período, teremos boas histórias para contar, experiências para compartilhar e práticas bem-sucedidas de aula que terão continuidade no futuro”.

 

 

A Jornada Digital da Escola Vera Cruz é uma iniciativa que apresenta diversas dicas sobre tecnologia para profissionais da educação, com livre acesso. Com a pandemia do novo coronavírus, o ensino passou a ser remoto, e o Vera, que já utilizava ferramentas digitais, intensificou o treinamento dos seus profissionais nesse sentido. Uma das medidas tomadas foi a criação da Jornada Digital, uma iniciativa com várias dicas úteis sobre o uso do e-mail, navegadores e diversas plataformas. 

Veja todas as dicas da Jornada Digital aqui. 

 

 

O Colégio Guilherme Dumont Villares vinha há anos pesquisando e implementando recursos tecnológicos a serviço de seu projeto pedagógico. Quando as atividades não-presenciais tiveram início, em consequência do combate à pandemia do novo coronavírus, o GDV já tinha a confiança dos pais e todo o material didático digital, do 6° ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, já disponível. Associado à Abepar, o Colégio foi, gradativamente, adaptando-se à nova realidade, recorrendo para isso a diversas plataformas virtuais. 

As atividades não-presenciais começaram no dia 20 de março e já completaram um mês. A diretora geral, Eliana Baptista Pereira Aun, conta que com muita agilidade e determinação os diretores e coordenadores de cada área do conhecimento organizaram com seus professores os materiais para esse novo momento. 

Desde o princípio, o Google Classroom (aplicativo da Google for Education) foi a principal ferramenta utilizada. “Através desse recurso, demos continuidade ao trabalho, usando todas as possibilidades que ele oferece e nos empenhamos em produzir videoaulas, tutoriais para os pais, gravações e conversas ao vivo”.

Educação Infantil e 1º ano

As principais ações do Colégio neste segmento são a orientação e o apoio aos pais e familiares. O atendimento às famílias acontece desde o primeiro dia e não parou. “Isso tem fortalecido o diálogo, o laço afetivo e a credibilidade entre a escola e as famílias, além de viabilizar o trabalho”, explica a diretora.

"A Educação Infantil e o 1° ano do Fundamental 1 representam os maiores desafios no processo educativo à distância, devido à faixa etária dos alunos, com barreiras muitas vezes intransponíveis”, conta Aun. “Temos procurado fazer com o que os pais saibam a quem recorrer quando sentem alguma dificuldade”.

As atividades são postadas nas plataformas – Portal Educacional e Google Meet – junto com um passo a passo que permite aos familiares entender a proposta. As professoras também gravam vídeos em casa e enviam às crianças, explicando a atividade do dia.  

Antes da paralisação, o Colégio enviou aos pais um kit com materiais de papelaria necessários para as diversas atividades que seriam realizadas em casa. Incluem-se nesse conjunto de atividades vídeos com a professora cantando músicas ou contando histórias, propostas de brincadeira, trabalhos de psicomotricidade, além das dinâmicas para as disciplinas de Educação Física e Inglês. 

Há momentos ainda em que as crianças e a professora reúnem-se via Hangouts – conhecida plataforma de encontros ao vivo – com o auxílio dos pais ou familiares. “Esse é um momento de matar a saudade e de poder ver todos os amiguinhos”, conta a diretora.

Ensino Fundamental e Médio

Nas séries iniciais do Fundamental 1, as crianças ainda estão em fase de transição da Educação Infantil. Por isso, é fundamental que os pais auxiliem bastante nas atividades. Levando isso em conta, o Colégio envia aos pais as propostas de atividades, que eles podem imprimir e, ter assim, acesso ao material físico para facilitar a realização dessas iniciativas, além dos tutoriais de orientação, as videoaulas e as aulas online interativas. 

“Nessas séries, estamos desenvolvendo os objetivos de aprendizagem com estratégias adequadas à realidade do ensino remoto, no sentido de consolidar as matérias que já estavam sendo trabalhadas e que agora estão começando a fluir melhor”, diz Aun. 

Quanto ao Fundamental 2, os alunos já possuíam mais autonomia e estavam bem-encaminhados na utilização das plataformas digitais. A adaptação foi mais fácil para eles. Os tutoriais de orientação, videoaulas, aulas online diárias e momentos no Hangouts continuam, além da realização de pesquisas, experimentos científicos e da utilização de diversas ferramentas necessárias à especificidade de cada disciplina. 

Os alunos do Ensino Médio estavam no mesmo caminho, familiarizados com as ferramentas digitais, o que deu uma fluência maior do processo pedagógico. Os professores estão seguindo o horário de aulas online e plantões, que permitem o contato direto entre o professor e aluno. Nesses momentos, os estudantes trazem dúvidas, que são esclarecidas e dão um sequenciamento aos conteúdos. 

Eles também assistem às aulas via Google Hangouts, participando e interagindo com o professor e com os seus colegas.  O horário de aula foi adaptado, pois “o tempo é diferente quando se está à distância”, explica a diretora. “Por isso colocamos menos horas de manhã e algumas horas à tarde”.

Os alunos também realizam exercícios e trabalhos, que são corrigidos pelos professores. “Estamos dentro da organização curricular proposta pela BNCC e observamos todos os objetivos de aprendizagem usando a tecnologia”, explica Eliana Aun. 

O GDV também já começou a preparar as avaliações, que serão aplicadas em breve para os alunos de 6º ano do Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Segundo Aun, é importante que os professores recebam um retorno do desempenho dos alunos, para que possam saber se os objetivos de aprendizagem estão sendo alcançados, “ainda mais agora, quando se realiza um trabalho absolutamente inédito”.

Apoio às famílias e equipe motivada 

Nesse momento, o contato e a proximidade com as famílias são essenciais. Os profissionais do GDV, professores, orientador educacional e equipe tecnológica, estão à disposição para ajudar em qualquer situação de dificuldade do aluno ou da família que impeça a realização do processo ensino aprendizagem. Inclusive, com a realização de Hangouts individuais entre professor e aluno com necessidades especiais.

O incentivo aos professores e à equipe é constante. Com o apoio de uns para com os outros e o suporte da direção, a equipe conseguiu superar as dificuldades encontradas num primeiro momento. Frequentemente, são realizadas reuniões ao vivo com os professores e coordenadores, um momento que vai além do planejamento das aulas e que serve também para aproximar e motivar a equipe.  

“Esse período está sendo, para nós educadores, de enorme aprendizado”, conta Eliana Aun. “Estão todos se empenhando e procurando dar o melhor de si. É uma situação que exige que cada um de nós supere as inseguranças e acredite que é capaz”. 

 

 

Neste período de distanciamento social, indispensável para evitar a disseminação do novo coronavírus, a Escola Móbile tem dado continuidade ao processo pedagógico e procurado cuidar também do equilíbrio e do bem-estar emocional dos alunos. Associada à Abepar, a Móbile, que fica na região Sul de São Paulo, aposta em yoga e meditação como complemento às atividades pedagógicas online para seus mais de 3.500 alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Para a continuidade das práticas pedagógicas, a escola usa o Canvas, plataforma que já está presente no dia a dia da instituição desde 2014. “Chamamos de Móbile Virtual”, explica Julio Ribeiro, coordenador de tecnologia educacional da Móbile. “O Ensino Fundamental 2 e o Médio já utilizam esta plataforma como complemento às atividades presenciais. Então o que fizemos foi estender esse uso ao Fundamental 1 e à Educação Infantil”.

Ribeiro, que é também professor de Física do Ensino Médio, conta como aconteceu a preparação da Escola para as atividades não-presenciais. Assim que percebeu que poderia ser fechada por conta da pandemia de Covid-19, a Móbile tomou as providências para a expansão da plataforma a todos os segmentos e deu início à capacitação dos professores. 

“Foi uma tomada de decisão muito rápida, assim como o início das ações”, lembra. “Acredito que este tenha sido um dos pontos fortes para que tenhamos conseguido migrar para o digital em tão pouco tempo. Quando o fechamento foi anunciado, já tínhamos tudo pronto e começamos com as aulas não-presenciais em seguida”.

Estratégias virtuais

Da Educação Infantil ao Ensino Médio, as atividades não-presenciais são divididas em dois momentos principais: encontros síncronos, com aulas online e ao vivo, e encontros assíncronos, que são as aulas gravadas pelos professores e disponibilizada no Móbile Virtual. Além disso, os alunos têm atividades que são realizadas e enviadas aos professores para correção e comentários. 

Na Educação Infantil, os encontros síncronos acontecem, em média, duas vezes por semana e são realizados em duplas de alunos ou individualmente, sempre com a presença da família, claro. E há também os encontros assíncronos, em que os professores gravam vídeos para que os pequenos assistam. “Esses vídeos são os mais variados”, afirma Julio Ribeiro. “São estímulos diversos, contação de histórias, músicas, sugestão de atividades, brincadeiras e tudo o que envolve o desenvolvimento da criança”.

Uma questão importante para a Educação Infantil é limitar o tempo de exposição à tela. Pensando nisso, são propostas atividades em papel, como pinturas, desenhos e brincadeiras.

E para que os pequenos matem a saudade dos coleguinhas, os professores disponibilizam fotos dos alunos e de suas atividades no mural compartilhado. “Assim eles podem se ver e ver o que os outros estão fazendo”, ressalta o coordenador de tecnologia educacional. “É importante também manter esse vínculo entre eles”.

No Ensino Fundamental 1, a estratégia permanece a mesma. A diferença é que os encontros síncronos são realizados com grupos maiores ou, às vezes, até com a turma inteira.

Nos anos iniciais do Fundamental 1, um tema bastante relevante é a alfabetização. O processo que começou na sala de aula física continua no ambiente virtual. “A Móbile tem um método próprio de alfabetização, desenvolvido pela escola”, conta Ribeiro. 

“E um dos recursos é o Caderno de Alfabetização Digital”, continua. “Trata-se de uma ferramenta que permite acompanhar o desenvolvimento de cada aluno na alfabetização com a utilização de um tablet. Este recurso nos ajudou na hora de migrar para o virtual”. Esta não é a única ferramenta utilizada para alfabetizar as crianças, mas é um reforço importante neste período delicado da educação.

Para o Ensino Fundamental 2 e o Ensino Médio, a rotina é bem parecida com a presencial. Os encontros acontecem no horário habitual, com a mesma grade horária. Foram mantidas inclusive as atividades extras, como palestras, por exemplo. 

Além disso, os alunos têm as tarefas que devem ser entregues para correção e fórum para a solução de dúvidas.

Em todos os segmentos, a Móbile manteve uma característica importante: a personalização de atividades para determinados grupos. “Sempre que identificamos uma dificuldade em um grupo de alunos, preparamos atividades específicas para que a aprendizagem aconteça”, explica Julio Ribeiro. “Da mesma forma, podemos sugerir atividades complementares a um grupo que tenha facilidade, para estimular”.

Para que alunos e famílias possam acompanhar o desenvolvimento neste período de quarentena, a Móbile envia um relatório de desempenho. “É importante que todos tenham este retorno do que está sendo aprendido e quais os pontos que precisam de mais atenção”, ressalta o coordenador. “Mas sabemos que, ao retornar para a escola, teremos de fazer uma avaliação minuciosa para ver o que, de fato, foi compreendido e o que teremos de trabalhar novamente. Não podemos deixar nenhuma lacuna no aprendizado”.

Além do pedagógico

Aprender é muito mais do que assistir aulas ou realizar tarefas. Vivências artísticas e lúdicas fazem parte do processo de aprendizagem. Por isso, a Móbile envia semanalmente uma agenda cultural a cada segmento. São sugestões de atividades como filmes, livros, brincadeiras, músicas e tudo o que pode complementar a experiência pedagógica.

Além do aprendizado, neste momento em especial, é preciso cuidar também do equilíbrio mental. Pensando nisso, a Móbile estendeu as atividades de yoga e meditação, que antes eram apenas para o Fundamental 2 e Ensino Médio, para todos os alunos. 

Outro recurso que a Móbile começou a explorar foi o podcast. A escola tem o Móbile Podcast, que oferece conteúdos pedagógicos para todas as idades, e o Escola Móbile Momento Foco, que é um guia para meditação, também para qualquer idade.

Aprendizados na pandemia

Durante este período de distanciamento social e aulas não-presenciais, professores e alunos estão encarando muitos desafios. E a superação deles deixa, certamente, muitos aprendizados.

“Uma das conquistas que consideramos importantes é que temos conseguido manter o engajamento dos alunos”, comemora Ribeiro. Além disso, uma pesquisa com os alunos do Ensino Médio mostrou que eles consideram que o aprendizado está acontecendo normalmente. “Eles dizem que estão aprendendo tanto quanto estariam se estivessem indo para a escola”.

Outro ponto que merece destaque, segundo Julio, é a atuação dos coordenadores pedagógicos, que na Móbile são divididos por disciplinas. “Graças a eles, pudemos nos dividir em grupos menores e tanto a capacitação, lá no começo, quanto a troca de experiências, que acontece sempre, são muito mais produtivas”.

Para Julio Ribeiro, no entanto, o grande legado que esta pandemia deixa para a Escola Móbile é a transformação de mentalidade do corpo docente. “De uma hora para a outra, tivemos de encarar novas ferramentas, adotar novas práticas de ensino e explorar caminhos que antes acabávamos não explorando, por motivos diversos”, destaca. “Tudo isso, sem dúvida, vai permanecer de alguma forma na nossa rotina e trazer muitos benefícios para a aprendizagem dos alunos”.

 

Imagem: Wavebreakmedia/iStock.com