Malba Tahan: o mestre que humanizou a matemática

Dia Nacional da Matemática é celebrado no dia 6 de maio em homenagem a Malba Tahan, o mestre que transformou números em aventuras

São Paulo, 6 de maio de 2026 – O Brasil celebra nesta quarta-feira o Dia Nacional da Matemática, data instituída oficialmente pela Lei nº 12.835/2013 e escolhida em homenagem ao aniversário de nascimento do professor, matemático e escritor Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan. Nascido em 6 de maio de 1895, no Rio de Janeiro, Mello e Souza faleceu em 1974, deixando um legado que continua a inspirar gerações de estudantes e apaixonados pela disciplina.

Júlio César de Mello e Souza formou-se professor e engenheiro civil, mas dedicou sua vida ao magistério e à divulgação da matemática. Lecionou em instituições como o tradicional Colégio Pedro II e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para dar um toque exótico e maior credibilidade às suas histórias, ele criou o heterônimo Malba Tahan – um suposto escritor árabe nascido em 1885 na aldeia de Muzalit, no Oriente Médio. Chegou a inventar até um tradutor fictício, o professor Breno Alencar Bianco, para reforçar a mistificação literária.

Durante anos, poucos sabiam que por trás do “autor árabe” estava um professor carioca que nunca havia pisado no Oriente.

Sua obra mais famosa, O Homem que Calculava (publicada originalmente em 1938), é um clássico da literatura infanto-juvenil e de matemática recreativa. O livro narra as aventuras de Beremiz Samir, um jovem persa com um dom prodigioso para os cálculos, que viaja por cenários inspirados nas Mil e Uma Noites.

Ao longo da narrativa, Beremiz resolve problemas práticos do cotidiano – desde divisões de heranças e contagem de camelos até desafios de geometria e lógica – usando apenas raciocínio matemático, de forma simples e encantadora. A obra mistura ficção, aventura e ensino, fugindo do modelo tradicional de fórmulas secas.

O sucesso do livro e de Malba Tahan no Brasil foi estrondoso. O Homem que Calculava já vendeu mais de dois milhões de exemplares no país, foi traduzido para diversos idiomas (incluindo árabe) e continua em catálogo até hoje, com dezenas de edições.

Monteiro Lobato o classificou como “a melhor expressão do binômio ‘ciência-imaginação’”. O que tornou Malba Tahan e sua obra tão populares foi a capacidade de desmistificar a matemática, transformando-a em algo lúdico, acessível e divertido. Em uma época em que o ensino da disciplina era frequentemente associado a dificuldade e tédio, o autor mostrou que números podiam ser fonte de criatividade, curiosidade e até poesia.

Seus livros influenciaram gerações de brasileiros, ajudando a popularizar a educação matemática e inspirando professores a adotarem métodos mais criativos em sala de aula.

Hoje, o Dia Nacional da Matemática serve não apenas como homenagem ao “homem que calculava”, mas como convite à reflexão sobre o papel da matemática na vida cotidiana, na ciência e na formação de cidadãos críticos. Como diria o próprio Malba Tahan, nada interessa mais ao ser humano do que uma boa história – e ele soube contar as melhores, com algarismos e tudo.

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